Foto: Rafael Ribeiro/CBF

CBF reúne clubes e federações para palestra sobre reconstrução e fair play financeiro

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) promoveu nesta terça-feira (24) uma palestra com o presidente da LaLiga, Javier Tebas, para detalhar o processo de reconstrução que levou a liga espanhola a figurar entre as três mais importantes do mundo. O encontro, realizado no auditório da entidade, reuniu representantes dos clubes da Série A e B do Campeonato Brasileiro. O presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF) e vice-presidente da CBF, Rubens Angelotti, participou do encontro, assim como outros representantes de federações.

Com passagens pela presidência de clubes como Deportivo Huesca, em divisões inferiores da Espanha, Javier Tebas acumulou grande conhecimento desportivo, econômico e gerencial no futebol espanhol. Ele relata que há 12 anos, quando foi convidado para presidir a LaLiga, o cenário era completamente diferente do atual, e economicamente mais grave do que o que o futebol brasileiro se encontra hoje: a dívida da LaLiga estava próxima de 1 bilhão de dólares, mais da metade dos atletas filiados denunciava atrasos de salários e 32 clubes encontravam-se em recuperação judicial.

O passo fundamental para reorganização foi a formulação do fair play financeiro da Espanha, que permitiu equilibrar finanças, encontrar novas (e mais vantajosas) fontes de receita e adquirir credibilidade junto ao Governo da Espanha, que viria a tornar-se aliado neste processo de reconstrução.

Ao analisar o panorama em que o futebol brasileiro se encontra agora, Tebas acredita que o Brasil tem tudo para, a médio prazo, se consolidar entre as três melhores ligas do mundo, já que a CBF vem promovendo as mudanças estruturais necessárias e conta com diferenciais como clubes sólidos e torcidas notadamente apaixonadas.

“O Brasil tem vantagens, como ser um país com mais de 200 milhões de habitantes, paixão pelo futebol e marcas de clubes muito importantes, que são peças-chave neste processo, além de uma direção na CBF que nunca vi em outro lugar: profissional, com objetivos definidos de onde quer estar. O futebol brasileiro pode estar entre as duas ou três melhores ligas, no mínimo. E com o fair play financeiro, o caminho é melhor. A história nos mostra que a tendência é de quanto mais se arrecada, mais se gasta, e que se não for controlada a chegada de capital financeiro, haverá inflação. O princípio básico do fair play é que se gaste de forma compatível com o que se arrecada, e com isso em um patamar sustentável, é mais fácil direcionar os recursos para que o produto melhore”, aponta.

Texto/Colaboração: CBF

Foto: Rafael Ribeiro/CBF